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REGIÃO OESTE

Nova safra recorde depende de clima satisfatório nos próximos 45 dias

Para a safra atual, a expectativa do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Seab, é de 1.852.196 toneladas para a regional de Toledo.

Postado em 12/01/2021 às 15:46

(Foto: O Presente)

Quem anda pelas rodovias da região se encanta com o verde intenso que cerceia as estradas. As lavouras de soja preenchem a paisagem e trazem boas expectativas para a safra dos 487.420 hectares que fazem parte do Núcleo Regional de Toledo da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Estado.

Na safra 2019/2020, a produção foi de 1.858.345 toneladas nos 20 municípios que compõem a regional em 483.295 hectares. Para a safra atual, a expectativa do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Seab, é de 1.852.196 toneladas para a regional de Toledo, 0,33% a menos que o produzido na safra passada e em uma área cultivada 0,8% maior.

Diante do cenário climático atual, que oscila entre dias de chuva e sol, muito se comenta a respeito de uma nova safra recorde na região. Contudo, especialistas da área agrícola são cautelosos quanto a qualquer afirmação neste sentido. “Diante das condições e do fenômeno La Niña, desde a implantação da cultura até o momento, vejo como uma safra normal, dentro das projeções”, opina o técnico do Deral do Núcleo Regional de Toledo da Seab, Paulo Oliva.

BOAS CONDIÇÕES

De acordo com ele, os agricultores da região devem iniciar a colheita da safra verão na primeira quinzena de fevereiro, com os trabalhos se intensificando na segunda quinzena e finalizando em março. “Tivemos replantio de cerca de 2% da área semeada e precisamos que as chuvas continuem para o bom desenvolvimento da planta. Estamos em uma fase em que há grande demanda hídrica; a umidade é de suma importância”, ressalta.

Oliva diz que, em média, 1% das lavouras de soja da regional está na fase de maturação, 14% na fase de desenvolvimento vegetativo, 20% em frutificação e 65% em floração. “Em torno de 60% das lavouras da região estão em boas condições, 30% estão com uma qualidade média e cerca de 10% apresentam uma condição ruim”, detalha.

PREÇOS HISTÓRICOS

O técnico do Deral destaca que o momento vivenciado pela agricultura nacional é promissor, tendo em vista os preços históricos. “Segundo os especialistas, as commodities seguem valorizadas na bolsa e o câmbio favorece bons preços”, expõe.

Segundo ele, um média de 33% já tem a soja comercializada em contratos. “Para as demais produções, o excedente, cabe ao produtor buscar o melhor momento para venda”, frisa.

MARECHAL RONDON

Conforme dados do Deral, a área cultivada com soja em Marechal Cândido Rondon é de 32.050 hectares e, apesar da expectativa do agricultor, uma safra recorde por aqui ainda é algo incerto.

“As lavouras estão boas sim, mas sobre uma possível quebra de recorde de safra, é um pouco cedo para falar. O potencial que as lavouras demonstram indica que sim, mas dependemos de um clima satisfatório nos próximos 45 dias”, ressalta o engenheiro agrônomo Cristiano da Cunha. Segundo ele, se a safra não for recorde, com certeza será uma das melhores dos últimos anos.

Comparando a safra atual com a de 2019/2020, o engenheiro agrônomo avalia que ambas possuem muitas semelhanças. “Tivemos novamente um plantio um pouco mais tardio que o normal. Setembro foi bastante seco e as áreas foram plantadas apenas em outubro. Para que essa safra de verão supere a anterior, dependemos do clima”, destaca.

Cunha relembra que na safra passada a média de produtividade na região ficou em 170 sacas por alqueire, com áreas alcançando até 220 sacas. “Foi uma safra muito boa e podemos dizer que a safra atual se encaminha para atingir os índices de produtividade da anterior”, salienta.

CLIMA PROPÍCIO

Ele afirma que o clima tem favorecido a soja em Marechal Rondon e região. “Temos chuvas de 30 a 50 milímetros, sem se exceder muito, seguidas por dias de sol. Isso faz com que a planta tenha uma capacidade fotossintética muito boa, absorvendo a água do solo junto com os nutrientes. A energia solar, através da fotossíntese, é transformada em produtividade. Isso está sendo muito bom para as lavouras de soja”, enaltece.

A estiagem que fez com que os plantios atrasassem, segundo o agrônomo, não influenciou no desenvolvimento da planta. “Alguns dias sem chover foram até benéficos para a cultura, porque ela desenvolve bem o seu sistema radicular e o aprofunda. Isso foi muito bom”, salienta.

60% DO CICLO COMPLETO

Cunha avalia que aproximadamente 60% do ciclo das lavouras de soja de Marechal Rondon e região está completo. “Cerca de 50% da área está iniciando o enchimento do grão, 35% da área está no período de florescimento e 15% ainda na fase vegetativa, caso das lavouras plantadas por último”, detalha.

A maioria das áreas, de acordo com o engenheiro agrônomo, está com índice de potencial de produtividade alto. “Uma ou outra área teve problemas de germinação, mas são poucas e até insignificantes diante do total”, expõe.

PERÍODO DE COLHEITA

O agrônomo projeta que as colheitas devem começar a partir do dia 20 de fevereiro nas primeiras áreas semeadas. “Olhando a região de Novo Sarandi, sentido a Toledo, a colheita começa um pouquinho mais tarde, porque houve mais atraso. Na região de Mercedes, Porto Mendes e Bom Jardim, os trabalhos devem se iniciar na mesma época que em Marechal Rondon”, prevê, emendando: “Essa safra deve se estender até final do mês de março, porque há áreas semeadas no mês de novembro com um soja de ciclo mais longo, que passa cerca de cinco meses no campo”.

RECEITA DUPLICADA

Conforme o profissional, a aposta é para uma boa produtividade na região. “Se tivermos áreas se aproximando das 200 sacas por alqueire, será uma safra muito boa, até mesmo em função dos preços das commodities, que estão praticamente o dobro que no ano passado”, ressalta, frisando: “Se tivermos a mesma produtividade que a safra 2019/2020, a receita será duplicada”.

Na microrregião de Marechal Rondon, Cunha estima que de 25% a 30% da safra já foi vendida pelo agricultor antecipadamente. “Cerca de 70% da colheita está aí para ser vendida pelo produtor e ele poderá aproveitar os bons preços do momento”, ressalta.

MILHO SAFRINHA

Assim que as áreas sejam esvaziadas mais uma vez, o produtor tem a escolha de plantar o milho safrinha ou o trigo, cultura que teoricamente sofre menos com eventuais geadas. Contudo, mesmo diante dessa possibilidade, os agricultores optam em sua maioria por cultivar o milho.

Para Oliva, o plantio da principal cultura da safra de inverno deve acontecer com um pouco de atraso, fora da janela ideal por conta do atraso da safra de verão. “Todavia, se o clima colaborar, podemos ter uma boa produção. O bom desempenho é fundamental, pois a região tem uma grande demanda pelo grão de milho devido à forte cadeia de proteína animal”, comenta.

Para Cunha, é certeira a aposta do produtor em plantar milho safrinha. “Os preços estão bastante altos e o produtor se sente mais preparado para lidar com essa cultura, se comparado com a do trigo. Mesmo com plantios tardios, a agricultor rondonense já na safrinha, apesar do eventual risco de geada”, finaliza.

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